O bom, o legal e o equitativo: as três figuras do justo em Paul Ricoeur

Na filosofia moral de Paul Ricoeur, encontramos a ideia segundo a qual o conceito de justiça deve ser compreendido com base em três significados fundamentais, cada um deles associado, por sua vez, a três diferentes (porém articulados) níveis da reflexão ética. No primeiro deles, chamado de teleológico, o justo aparece, desde o início, como umaContinuar lendo “O bom, o legal e o equitativo: as três figuras do justo em Paul Ricoeur”

Justiça e Dívida

“A cada um o que lhe é devido” (suum cuique tribuere) Devido-dívida – é interessante a gente pensar na própria dificuldade que a gente tem de pensar a questão da justiça sem uma linguagem que utilize o mesmo vocabulário empregado no discurso econômico. 1a hipótese: Nietzsche (Genealogia da Moral) – é nesse vocabulário que encontramosContinuar lendo “Justiça e Dívida”

Os três usos da razão prática em Habermas e o problema da justiça

“Que uma norma seja justa ou de interesse geral nada mais significa que esta norma merece reconhecimento ou que é válida. A justiça não tem nada de material, não é um determinado ‘valor’, mas é uma dimensão da validade.”    Jürgen Habermas Uma das contribuições mais ricas do filósofo Jürgen Habermas para a teoria moral contemporânea foiContinuar lendo “Os três usos da razão prática em Habermas e o problema da justiça”

Justiça, litígio, moralidade e autorrespeito

Já se observou algumas vezes que a consciência que adquirimos da nossa própria identidade pessoal se deve à capacidade que desenvolvemos de fazer promessas (RICOEUR, 2008, 2014; NIETZSCHE, 2017). Essa constituição dialógica do sujeito é também a base da sua relação moral consigo mesmo. Sem um outro a quem possamos confiar a nossa palavra, nãoContinuar lendo “Justiça, litígio, moralidade e autorrespeito”

A ideia de justiça

Não faz justiça quem trata a própria ideia de justiça como apenas mais uma entre tantas outras. Podemos acusá-la de gozar de mais crédito do que ela merece, mas não sem antes já termos condenado o martelo a ter que cumprir o seu dever. A justiça é, portanto, a noção que levamos em máxima contaContinuar lendo “A ideia de justiça”

Uma hipótese sobre o desenvolvimento moral do senso de justiça

A dificuldade está em que o amor de várias pessoas é lançado na confusão a partir do momento em que as reivindicações dessas pessoas entram em conflito. John Rawls No princípio é o afeto: a dedicação emotiva de quem está sempre cuidando de nós. Logo se forma a certeza de que somos profundamente amados, assimContinuar lendo “Uma hipótese sobre o desenvolvimento moral do senso de justiça”

Trechos inesquecíveis – Ernst Tugendhat

“O que significa, então, justo? Acho que justiça é o conceito contrário a poder. Temos de distinguir uma ordem normativa à qual estejamos subordinados por poder, pela ameaça de castigos externos (como se fôssemos escravos) de uma ordem normativa justa. E me parece que a única maneira de definir uma ordem normativa justa é pensarContinuar lendo “Trechos inesquecíveis – Ernst Tugendhat”

O poder e a justiça

Mas quem pretenderá ser justo poupando-se da angústia? Jacques Derrida A história da vida pública de uma sociedade costuma ser interpretada como um processo de inúmeras disputas entre interesses socialmente antagônicos em torno da conquista do poder. Em que pese a perspicácia analítica desta descrição, tal processo guarda ainda uma questão nem sempre devidamente discutidaContinuar lendo “O poder e a justiça”

Justiça e correção moral: uma interpretação filosófica do desejo punitivo

As Eumênides dormem, mas o crime as desperta. Hegel, citado por Paul Ricoeur A primeira dificuldade daqueles que desejam estabelecer uma abordagem do problema da justiça, bem como do seu derradeiro significado moral para a vida em sociedade, consiste em saber como determinar o aspecto mais decisivo desta mesma relação, isto é, a partir doContinuar lendo “Justiça e correção moral: uma interpretação filosófica do desejo punitivo”

Justiça, democracia e direitos humanos

Em última instância, a função de qualquer governo é atribuir direitos e deveres aos cidadãos. A razão para isso é muito simples: como ninguém é capaz de prover sozinho as suas necessidades, supõe-se também necessária alguma divisão de responsabilidades que garanta as condições objetivas da mútua sobrevivência. Eis porque, para a filosofia política, é oContinuar lendo “Justiça, democracia e direitos humanos”