Tag: Arqueologia da justiça

A ideia de justiça

Não há maior injustiça do que tratarmos a ideia mesma de “justiça” como apenas mais uma entre tantas outras que se equivalem (ou que seriam ainda mais relevantes!). Podemos acusá-la de gozar de mais crédito do que supostamente ela merece, mas não sem antes já termos condenado o martelo a

Tão justo que mal cabe em si (sobre o espírito do perdão)

A justiça não significaria nada se a ela não restasse ainda o próprio direito de usar a força. Como bem já lembrou Pascal, não há justiça sem força (a garantia de poder aplicá-la), embora possa haver força sem justiça – verdadeira raiz do mal! Como poderia então a justiça não

Uma hipótese sobre o desenvolvimento moral do senso de justiça

A dificuldade está em que o amor de várias pessoas é lançado na confusão a partir do momento em que as reivindicações dessas pessoas entram em conflito. John Rawls No princípio é o afeto: a dedicação emotiva de quem está sempre cuidando de nós. Logo se forma a certeza de

Trechos inesquecíveis – Ernst Tugendhat

“O que significa, então, justo? Acho que justiça é o conceito contrário a poder. Temos de distinguir uma ordem normativa à qual estejamos subordinados por poder, pela ameaça de castigos externos (como se fôssemos escravos) de uma ordem normativa justa. E me parece que a única maneira de definir uma

O poder e a justiça

Mas quem pretenderá ser justo poupando-se da angústia? Jacques Derrida   A história da vida pública de uma sociedade costuma ser interpretada como um processo de inúmeras disputas entre interesses socialmente antagônicos em torno da conquista do poder. Em que pese a perspicácia analítica desta descrição, tal processo guarda ainda

Justiça e correção moral: uma interpretação filosófica do desejo punitivo

As Eumênides dormem, mas o crime as desperta. Hegel, citado por Paul Ricoeur A primeira dificuldade daqueles que desejam estabelecer uma abordagem do problema da justiça, bem como do seu derradeiro significado moral para a vida em sociedade, consiste em saber como determinar o aspecto mais decisivo desta mesma relação,

Justiça, democracia e direitos humanos

Em última instância, a função de qualquer governo é atribuir direitos e deveres aos cidadãos. A razão para isso é muito simples: como ninguém é capaz de prover sozinho as suas necessidades, supõe-se também necessária alguma divisão de responsabilidades que garanta as condições objetivas da mútua sobrevivência. Eis porque, para

Trechos inesquecíveis – Hans Kelsen

“A fórmula da justiça mais frequentemente usada é a conhecida suum cuique, a norma segunda a qual a cada um deve se dar o que é seu, isto é, o que lhe é devido, aquilo a que ele tem uma pretensão (título) ou um direito. É fácil ver que a

Trechos inesquecíveis – H. L. A. Hart

“É possível, evidentemente, imaginar uma sociedade desprovida de poder legislativo, tribunais ou autoridades de qualquer espécie. De fato, muitos estudos sobre comunidades primitivas não apenas afirmam que essa possibilidade se realiza, mas retratam detalhadamente a vida de uma sociedade na qual o único meio de controle social é aquela atitude

Trechos inesquecíveis – Chaïm Perelman

“A priori, a área de aplicação da justiça não é determinada, sendo, pois, suscetível de variação. Todas as vezes que se fala de ‘cada qual’ numa fórmula de justiça, pode-se pensar num grupo diferente de seres. Essa variação do campo de aplicação da noção ‘cada qual’ a grupos variáveis fornecerá

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