Lendo Rawls contra Rawls: um outro argumento a favor do argumento da posição original

Sabe-se que a teoria da justiça de John Rawls consiste em um esforço filosófico voltado à elaboração de um ponto de vista normativo capaz de equacionar potenciais divergências a respeito do que é devido a cada cidadão em matéria de direitos e deveres básicos. Nesse sentido, defende que apenas uma concepção política de justiça, isto… Continue lendo Lendo Rawls contra Rawls: um outro argumento a favor do argumento da posição original

Os três usos da razão prática em Habermas e o problema da justiça

"Que uma norma seja justa ou de interesse geral nada mais significa que esta norma merece reconhecimento ou que é válida. A justiça não tem nada de material, não é um determinado 'valor', mas é uma dimensão da validade."    Jürgen Habermas Uma das contribuições mais ricas do filósofo Jürgen Habermas para a teoria moral contemporânea foi… Continue lendo Os três usos da razão prática em Habermas e o problema da justiça

Justiça, litígio, moralidade e autorrespeito

1 - Já se observou algumas vezes que a consciência que adquirimos da nossa própria identidade pessoal se deve à capacidade que desenvolvemos de fazer promessas (RICOEUR, 2008, 2014; NIETZSCHE, 2017). Essa constituição dialógica do sujeito é também a base da sua relação moral consigo mesmo. Sem um outro a quem possamos confiar a nossa… Continue lendo Justiça, litígio, moralidade e autorrespeito

Quadro-resumo das principais perspectivas éticas segundo o problema da validade das normas

Advertência: O conceito de "ética" pode admitir muitas definições, a depender da abordagem que empregamos para tal fim. Aqui, optamos por uma abordagem francamente inspirada em Paul Ricoeur, para quem a ética se define como uma "reflexão de segundo grau sobre as normas" (RICOEUR, 2008b, p.50). Trata-se, portanto, de uma definição preocupada em destacar o… Continue lendo Quadro-resumo das principais perspectivas éticas segundo o problema da validade das normas

Democracia e liberdade de expressão: há um limite ético para o uso da linguagem?

À primeira vista, a ideia de que todos devemos ser livres para expressar nossas ideias e opiniões costuma despertar a nossa imediata simpatia. Como democratas, entendemos se tratar de uma inequívoca conquista civilizatória o direito de falar a respeito de qualquer assunto sem que se interponha previamente a censura do Estado. Contudo, como interpretar essa… Continue lendo Democracia e liberdade de expressão: há um limite ético para o uso da linguagem?

Trechos inesquecíveis – Jürgen Habermas (II)

“Em condições de vida modernas, já nenhuma das tradições concorrentes pode reivindicar, prima facie, um caráter geralmente vinculativo. Por isso, mesmo em questões de relevância prática já não podemos escorar os motivos convincentes na autoridade de tradições incontestadas. Se não quisermos resolver questões normativas da convivência elementar com recurso à violência directa ou velada, pela… Continue lendo Trechos inesquecíveis – Jürgen Habermas (II)

Reconhecimento, autoconsciência e identidade em Axel Honneth: uma nota de estudo*

Cada um de nós já passou pela experiência de, perante a violação de uma regra já considerada como válida, sentir-se como se tal infração representasse uma ofensa de caráter quase pessoal, tenha ela partido ou não de alguém com esse deliberado fim. Nas situações interativas do trânsito, por exemplo, cujas normas estão previamente definidas, esse… Continue lendo Reconhecimento, autoconsciência e identidade em Axel Honneth: uma nota de estudo*

As pressuposições da argumentação de acordo com a ética do discurso

Partindo-se da hipótese de que o conteúdo normativo de um juízo moral supõe também a expectativa de reconhecimento da validade pretendida por ele, pode-se admitir, na esteira da ética do discurso de Habermas, que o problema da deliberação moral depende pragmaticamente da existência de uma comunidade argumentativa capaz de tornar possível a troca de razões… Continue lendo As pressuposições da argumentação de acordo com a ética do discurso

Trechos inesquecíveis – Jürgen Habermas (I)

“(...) A contraposição abstracta entre ‘decisão’ e ‘conhecimento’ é precedida pelo passo em falso de uma abstracção semântica dos conteúdos do saber a partir dos contextos pragmáticos da sua aquisição solucionadora dos problemas, da comunicação e da exposição dos conteúdos. No entanto, a ‘razão’ consiste à partida no uso da razão. São os motivos que… Continue lendo Trechos inesquecíveis – Jürgen Habermas (I)