Justiça e Reparação – tópicos para um rascunho provisório

Justiça e Reparação Reparação do quê? Resposta: do dano. Um mal sofrido. Há um mal sofrido que exige ser reparado.  Mas como se repara um mal sofrido?  O mal sofrido é sempre um mal já cometido. Ninguém pode simplesmente voltar atrás para “desmaldizê-lo”, nem a vítima, nem o Estado, e muito menos o algoz (mesmoContinuar lendo “Justiça e Reparação – tópicos para um rascunho provisório”

O poder e a justiça

Mas quem pretenderá ser justo poupando-se da angústia? Jacques Derrida A história da vida pública de uma sociedade costuma ser interpretada como um processo de inúmeras disputas entre interesses socialmente antagônicos em torno da conquista do poder. Em que pese a perspicácia analítica desta descrição, tal processo guarda ainda uma questão nem sempre devidamente discutidaContinuar lendo “O poder e a justiça”

Trechos inesquecíveis – James Holston

“Em algum momento no final do Império (1822-89), o político, advogado, abolicionista, republicano e defensor da educação pública Rui Barbosa recebeu créditos por ter cunhado uma máxima que sintetiza essa formulação brasileira da igualdade, que desde então se tornou um mantra para estudantes de direito: ‘Justiça consiste em tratar igualmente o igual e desigualmente oContinuar lendo “Trechos inesquecíveis – James Holston”

Justiça e correção moral: uma interpretação filosófica do desejo punitivo

As Eumênides dormem, mas o crime as desperta. Hegel, citado por Paul Ricoeur A primeira dificuldade daqueles que desejam estabelecer uma abordagem do problema da justiça, bem como do seu derradeiro significado moral para a vida em sociedade, consiste em saber como determinar o aspecto mais decisivo desta mesma relação, isto é, a partir doContinuar lendo “Justiça e correção moral: uma interpretação filosófica do desejo punitivo”

Martelo de barro

Não se pode falar completamente em “justiça” quando o curso de um processo que se finda na sentença não visa, ele mesmo, à chamada paz cívica. A esfera judicial, como bem ressalta Paul Ricoeur, representa, antes de mais nada, a mediação exemplar do conflito, cuja finalidade não é menos sustar a expectativa social da vingançaContinuar lendo “Martelo de barro”

Trechos inesquecíveis – Michel Foucault

“O protesto contra os suplícios é encontrado em toda parte na segunda metade do século XVIII: entre os filósofos e teóricos do direito; entre juristas, magistrados, parlamentares; nos chaiers de doléances e entre os legisladores das assembleias. É preciso punir de outro modo: eliminar essa confrontação física entre o soberano e o condenado; esse conflitoContinuar lendo “Trechos inesquecíveis – Michel Foucault”

Rawls, Dworkin e Sen: três abordagens da justiça

Proponho apresentar neste curto exercício comparativo as principais características de três diferentes abordagens da justiça social defendidas, no âmbito da filosofia política contemporânea, por John Rawls (justiça como equidade), Ronald Dworkin (igualdade de recursos) e Amartya Sen (capability approach). Meu ponto de partida consiste na premissa segundo a qual toda e qualquer abordagem da justiçaContinuar lendo “Rawls, Dworkin e Sen: três abordagens da justiça”

Trechos inesquecíveis – Amartya Sen

“Qualquer teoria substantiva da ética e da filosofia política, em particular qualquer teoria da justiça, tem de escolher um foco informacional, ou seja, tem de decidir em quais características do mundo deve se concentrar para julgar uma sociedade e avaliar a justiça e a injustiça. Nesse contexto, é particularmente importante ter uma visão de comoContinuar lendo “Trechos inesquecíveis – Amartya Sen”

A cada um segundo a sua história – a propósito do elo entre moral e narrativa

O narrador é a figura na qual o justo se encontra consigo mesmo.  Walter Benjamin   Humano é vir a ser, sobretudo, a história que se espera contar. Essa condição do sujeito moral é, em si mesma, inapelável. Censuramo-nos uns aos outros não porque partimos todos de um absoluto ético em comum, mas porque, em face justamenteContinuar lendo “A cada um segundo a sua história – a propósito do elo entre moral e narrativa”